Hoje fui passear com o DJ, um cão muito carinhoso, porém pouco simpático e social. É constrangedor quando as pessoas chegam para brincar com ele, pelo simples fato do cãozinho não dar muita trela para elas. O jeito é você sorrir e dizer: É! Ele não é muito simpático.
Durante nosso passeio encontramos um grupo de crianças, eram todos meninos, deviam ter uns nove anos. Cercados de suas bicicletas, skates e outros meios de transportes adoráveis pelos pré-adolescentes, conversavam sobre relacionamento. Como um bom curioso, aproveitei para diminuir o passo e fazer de conta que aguardava o DJ fazer suas necessidades na grama que estava ali. Eles eram em cinco, porém o problema estava apenas com um dos meninos, sua dúvida era como pedir uma garota em namoro. Naquele momento todos davam seus palpites para que o amigo conquistasse a menina.
Ainda sou jovem, tenho 18 anos, mas devo dizer que me senti um velho, achei muito engraçado aquele momento, lembrei de quando tinha mais ou menos a mesma idade e buscava formas para conquistar as garotas. Lembro de vários casos, estes que ainda quero escrever por aqui. Mas o que mais me chamou atenção foram as dicas dos amigos (me senti mais velho ainda), veja algumas:
- Escreva um depoimento no orkut dela. Fale o quanto você a ama;
- Envie um e-mail, fica mais escondido. Basta saber se ela usa isso, mas te ajudo;
- Converse com ela pelo MSN, desta forma vai ouvir o que ela tem a dizer;
- Publique no Twitter.
É! As redes sociais tomaram conta. Não são mais bilhetinhos, nem mesmo cartas. Agora é tudo online. O que mais me deixa preocupado é saber que cada vez mais o mundo caminha para isso. Ali são crianças, brincando e descobrindo sentimentos, mas será que os adultos também não estão aproveitando o mundo digital para resolver suas vidas amorosas? Cada vez mais deixamos de viver o mundo real, daqui a pouco pedidos de casamento serão feitos pelo Facebook, onde os pais da noiva poderão aprovar clicando na tecla: Curtir! Aí, terei certeza: Ninguém mais tem coragem de enfrentar os medos e falar o que sente, olhando para a pessoa.


